terça-feira, 25 de setembro de 2012






Catarinense leiloa virgindade e lances já chegam a mais de US$ 150 mil 
"Uma jovem catarinense decidiu se inscrever em um concuso na internet para participar de um documentário e leiloar sua virgindade. A inscrição foi há dois anos e o produtor australiano Justin Sisely logo chamou a menina, então com 18 anos, para fazer um teste em vídeo. Depois, ela foi a escolhida para participar do projeto..." 
- disponível em :http://www.macaenews.com.br/ -
-acessado em 25/09/2012


Cenas, fotos, informações nos chegam de crianças com suas infâncias roubadas a partir de experiências desagregadoras de suas almas. O choro e o clamor delas são audíveis aos ouvidos da sociedade, porém nos recusamos a ouvi-las. Eu mesma registrei uma queixa no Disque Denúncia de que uma criança de 9 anos, aluna de uma das escolas da nossa Rede Municipal de Ensino que estaria sofrendo abuso sexual de alguém de sua própria família, porém a resposta que obtive é a de que seria muito difícil chegar à localidade, uma vez que esta encontra-se numa região muitol descentralizada , sem endereço preciso. 
Impressionante é nos depararmos com esta notícia tão contrastante. Uma adolescente sendo incentivada a banalizar algo de imenso valor, sua dignidade. Como aquela menina, citada acima gostaria de ter tido esta oportunidade... Com certeza ela diria não para esta "opção", "alternativa", "escolha", "propósito de vida".



Dedico esta canção às inúmeras crianças em todo o planeta que não têm "oportunidade" de "leiloarem" sua dignidade, uma vez que esta lhes é roubada...

JESUS Loves you !...



quarta-feira, 22 de agosto de 2012



A cidadania ativa da criança diz respeito mais precisamente a garantir seus direitos para que esta cidadania realmente aconteça no seu pleno significado. Uma vez que, uma diversidade de demandas na atualidade, caracterizam também uma infância com um maior teor de subjetividades, sendo necessária uma reinstitucionalização não somente estrutural, mas simbólica também. (SARMENTO, 2004)
A preocupação, melhor dizendo, a ocupação das instituições, passando pela família, pela escola, espaços públicos, pela mídia, pelos estatutos inclusive, deve ser em estabelecer não somente espaços condizentes com esta infância plural e heterogênea, mas paradigmas diferenciados até mesmo na capacitação pessoal daqueles que venham a interagir com esta infância.
A importância de eu compartilhar uma situação que estou vivenciando faz-se necessária. Leciono em uma escola da Zona Rural do município em que moro e em minha turma há uma criança que não comparecia às aulas desde o início do ano letivo; só veio a estar presente a partir de julho, quando que pela “enésima” vez a mãe foi convocada para comparecer à escola para dar algum tipo de satisfação. A mesma relatou que seria impossível o comparecimento da criança às aulas, uma vez que ela era responsável pela sua irmã de 8 meses no período em que ela, a mãe, estaria trabalhando. Esta não tinha conhecimento da questão do direito à “Bolsa Família”.
A mãe foi orientada sobre os pré requisitos para se conseguir a “Bolsa Família”, além de ser aconselhada a conseguir negociar com a patroa sobre a questão do horário de forma que não atrapalhasse a criança de estudar, o que conseguiu com êxito. Embora ainda fique com a irmã durante a parte da manhã, comparece com mais frequência às aulas, seus olhos brilham a cada conteúdo, descoberta, participação. Porém, está muito aquém do nível da turma, mas envolve-se e demonstra bastante interesse em aprender, ainda que esteja ciente de que ficará retida no 5º devido ao número de faltas. Esta subjetividade ainda não foi contemplada.
A questão de contemplar todas as subjetividades significaria, segundo os princípios desta 2ª modernidade, conformar-se com paliativos para maquiar as duras realidades vivenciadas pelas crianças de diferentes classes sociais. Tanto o entretenimento desenfreado, o apelo para o consumismo de bens supérfluos, ou até mesmo os programas das políticas públicas.
Mesmo que as Infâncias sejam diversas, as crianças ainda encontram-se numa sociedade formatada sob a “logística” adulta, o que as insere num mundo praticamente sem ludicidade, embora a oferta de brinquedos seja cada vez mais intensa e democrática, até sob o ponto de vista econômico; porém o brincar está cada vez mais comprometido com demandas complexas: bullying, pedofilia, trabalho infantil, anorexia, obesidade infantil, gravidez precoce, pequenas misses, relações familiares com padrastos, madrastas, ½ irmãos a convivência com as situações de risco como tráfico de drogas, marginalidade... são muitas preocupações antes do brincar. O que deveria ser algo natural está revestido de muitas nuances nem tão coloridas assim, porém dignas cada vez mais de estudos e análises até para a proteção do bem mais precioso, a vida humana, que, não temos como correr desse fato, inicia-se com a criança.